Em busca do equilíbrio, um dia de cada vez

Quando se fala em equilíbrio o que lhe vem à mente? À minha mente sempre vem a imagem de uma pessoa andando de bicicleta, principalmente pela relação que faço com uma famosa frase de Albert Einstein: “A vida é igual andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso se manter em movimento.” Ou seja, ficar imóvel não nos leva a lugar algum, mesmo que nos dê essa sensação de equilíbrio por estarmos parados, mas nem aí estamos completamente parados.


Vou descrever melhor: imagine você ou alguém andando de bicicleta, qual o principal movimento que leva uma pessoa a se manter equilibrada? O movimento que ela faz intercalando as duas pernas e principalmente o peso do seu corpo sendo jogado de um lado para o outro é o que possibilita esse equilíbrio e simultaneamente andar para frente. Agora pensemos no exemplo de estarmos parados, e se possível faça um experimento comigo: fique em pé, com os pés próximos um do outro, feche os olhos e tente ficar o mais parado possível, e observe o que acontece ficando assim por um tempo. Espero que você tenha percebido que o seu corpo não fica completamente imóvel, ele vai balançando, distribuindo o peso do corpo, em busca de se manter equilibrado.

Mas o ponto que quero chegar é na relação que esses exemplos têm com o equilíbrio emocional. Muitas vezes construímos uma idéia do que é ter equilíbrio emocional, e muitas vezes essas teorias tem a ver com ausência de irritabilidade, angústia, ansiedade. A maioria das pessoas quando imagina alguém equilibrado emocionalmente, pensa em alguém tranqüilo, talvez até imagine um monge budista meditando o dia inteiro. Está certo que existem pessoas que não se deixam impulsionar ou transparecer suas emoções, mas nem sempre isso significa equilíbrio emocional.

Equilíbrio emocional tem mais a ver com o como escolhemos agir. Se olharmos para os exemplos físicos citados anteriormente, o corpo distribui o peso para ambos os lados. Equilíbrio emocional também tem a ver com escolha de às vezes agir de um jeito, às vezes de outro. Algumas vezes agir de acordo com o que se sente emocionalmente, às vezes escolher agir o contrário disso. Mas para isso é necessário ter consciência das emoções e impulsos, pois se não agiremos apenas no piloto automático, não escolhendo de verdade como agir.

A psicóloga Kristin Neff, autora do livro “Autocompaixão” diz que diversos estudos mostram que pessoas capazes de prestar atenção à sua experiência num momento específico de forma consciente têm maior equilíbrio emocional. Ou seja, não é ignorar o que se está sentindo, é dar atenção a essa emoção, perceber o que se sente e pensa, e então poder decidir seguir o caminho da emoção ou não. Essa não é uma tarefa fácil, pois vivemos em um mundo do imediatismo, onde se busca fugir de tudo que pode ser desconfortável, mas é uma tentativa que vale a pena.

Tenha em mente que quem tem o controle das suas ações é você. Apesar de não termos como escolher como nos sentimos emocionalmente, ou escolher descartar pensamentos desconfortáveis, ainda sim é tua responsabilidade o como irá agir. Lembre: nem sempre se calar, ou agir o contrário da emoção significa ser equilibrado emocionalmente. Muitas vezes agir de acordo com nossa emoção nos leva ao equilíbrio por estar coerente àquilo que desejamos ser como pessoa.

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